Resposta direta
Epicondilite é a dor que aparece na saliência óssea da lateral ou da parte de dentro do cotovelo, onde os tendões do antebraço se prendem ao osso. O detalhe que mais confunde é que o cotovelo dói, mas a sobrecarga vem de baixo: quem puxa esses tendões é o punho e a mão, apertando, girando a maçaneta, segurando a chave de fenda, carregando a sacola. Por isso a queixa típica costuma ser dor ao pegar um objeto com o braço estendido, e não dor ao dobrar o cotovelo.
A epicondilite lateral é a mais frequente e ficou conhecida como cotovelo de tenista, apesar de a maior parte das pessoas com o quadro nunca ter jogado tênis. Em geral o fisioterapeuta avalia onde exatamente dói, a força de preensão comparada com o outro lado, a mobilidade do punho e do ombro e a rotina de uso do braço, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a epicondilite
O cotovelo tem duas saliências ósseas fáceis de achar com o dedo, uma de cada lado. Nelas se prende um feixe de tendões que comanda o punho e os dedos. Quando esse ponto de ancoragem passa por mais demanda do que consegue tolerar, o tecido muda de qualidade e fica sensível ao toque e ao esforço.
São dois quadros diferentes, e vale saber qual é qual:
- Epicondilite lateral, do lado de fora do cotovelo, envolvendo os tendões que estendem o punho e os dedos. É a mais comum das duas, com folga.
- Epicondilite medial, do lado de dentro, envolvendo os tendões que flexionam o punho. Ficou conhecida como cotovelo de golfista e aparece bem menos.
O nome termina em "ite", o que sugere inflamação, e essa é a parte desatualizada. Na maioria dos casos que duram semanas, o que se encontra no tecido é desorganização das fibras de colágeno, com pouca ou nenhuma célula inflamatória clássica, e por isso a literatura atual prefere falar em tendinopatia. A consequência é prática: tecido inflamado pediria repouso e frio, enquanto tecido desorganizado costuma responder a carga bem administrada.
Outro ponto útil: dor no epicôndilo não é sempre epicondilite. O nervo radial passa perto dali, a articulação do cotovelo pode estar envolvida e a coluna cervical às vezes projeta dor para a mesma região.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Aumento repentino de uso da mão. Uma reforma em casa no fim de semana, uma mudança, um período de trabalho manual mais intenso que o habitual.
- Preensão forte e repetida, com ferramenta, teclado com apoio ruim, tesoura, alicate, volante, bandeja.
- Gesto que combina força e rotação do antebraço, como apertar parafuso ou torcer pano.
- Idade entre trinta e cinco e cinquenta e cinco anos, faixa em que o tendão já mudou de propriedade mecânica e a demanda de trabalho ainda é alta.
- Pouca força no ombro e na escápula, que faz o antebraço assumir demanda que deveria ser distribuída pelo braço inteiro.
- Tabagismo e diabetes, associados a pior qualidade do tecido tendíneo.
Vale registrar o que costuma não ser verdade: parar completamente de usar o braço raramente melhora o quadro de forma duradoura. O tendão que fica semanas sem demanda nenhuma tende a tolerar ainda menos quando a vida volta ao normal.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Dor no cotovelo depois de queda, pancada direta ou torção do braço
- Cotovelo quente, vermelho e inchado, em especial com febre
- Dormência ou formigamento que desce até os dedos
- Perda de força que faz a pessoa derrubar objetos sem perceber
- Travamento do cotovelo, com bloqueio de movimento em um ponto
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta sempre que a rotina de uso da mão aumenta, ou quando tarefas simples como segurar uma xícara ficam desconfortáveis.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta localiza o ponto doloroso, mede a força de preensão e compara com o lado oposto, testa o punho e o antebraço em posições que carregam cada grupo de tendões, confere o ombro e levanta o que a pessoa faz com aquela mão durante o dia. Essa última parte costuma ser decisiva, porque o cotovelo quase nunca melhora enquanto a demanda diária segue igual.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve carga progressiva para os tendões do antebraço, ajustada ao que a pessoa tolera naquele momento e aumentada ao longo de semanas.
Esta página não indica exercício para epicondilite, e a razão aqui é a dose. Em tendinopatia, o que separa o estímulo que ajuda do estímulo que piora não é o nome do movimento: é quanto peso, em qual velocidade, quantas vezes e com qual intervalo entre uma sessão e outra. O mesmo exercício, com carga baixa demais, não produz efeito nenhum, e com carga alta demais mantém o tendão irritado por semanas. Quem calibra essa dose faz isso medindo a resposta da pessoa ao longo do tempo, e um texto não tem como medir nada. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro, que inclui ajustar a forma de segurar ferramentas, distribuir tarefas pesadas ao longo da semana e entender que algum desconforto durante a carga costuma ser esperado e não significa piora.
Recursos como terapia manual, eletroterapia e faixas de compressão no antebraço costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: tendinopatia tem tempo biológico lento, e a melhora costuma ser contada em meses, não em dias. É comum haver oscilação pelo caminho, com semanas melhores e semanas piores, em especial quando a demanda de trabalho varia.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Preciso jogar tênis para ter epicondilite?
Não. A maior parte das pessoas com o quadro nunca jogou. O apelido pegou porque o gesto do esporte carrega bem os tendões envolvidos, mas trabalho manual, tarefa doméstica e uso prolongado de ferramenta respondem pela maioria dos casos.
Tenho que parar de usar o braço?
Parar por completo costuma não ser o caminho, e em geral o que se ajusta é a quantidade e a forma. Reduzir o que provoca muita dor, manter o que é tolerável e voltar de forma gradual é o padrão descrito na literatura. Quem define esse ajuste para o seu caso é quem avaliou você.
Meu cotovelo e meu punho doem juntos. É a mesma coisa?
Pode ser o mesmo grupo de tendões sendo carregado em dois pontos, e pode ser outra queixa somada. Como a tendinite no punho envolve tendões vizinhos, e alguns deles passam pela região do cotovelo, o exame físico costuma separar melhor do que a localização da dor.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando há sintomas de nervo envolvidos, a avaliação pode envolver outras áreas, conforme a conduta médica.
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Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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