Resposta direta
Ombro congelado, também chamado de capsulite adesiva, é o enrijecimento progressivo da cápsula que envolve a articulação do ombro. Essa cápsula, que normalmente é folgada o bastante para o braço girar em todas as direções, vai ficando espessa e retraída, e o ombro perde movimento até tarefas simples ficarem inviáveis: levar a mão às costas, pegar a carteira no bolso de trás, alcançar o cinto de segurança. A perda de rotação externa, o gesto de girar o antebraço para fora com o cotovelo junto ao corpo, é a marca do quadro.
Esta é a queixa de ombro que menos se confunde com as outras quando alguém examina: aqui o braço não se move nem quando outra pessoa tenta movê-lo, porque o bloqueio é da própria articulação e não de um tendão dolorido. E é a única das quatro que costuma ser descrita em fases, com curso longo. Em geral o fisioterapeuta avalia em que fase o ombro está, mede a amplitude ativa e a passiva e considera condições de saúde associadas. O que entra no acompanhamento varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é o ombro congelado
Como quatro queixas do ombro doem quase no mesmo lugar, vale separar antes de seguir:
- Ombro congelado, o tema desta página: a cápsula enrijece, e a amplitude cai tanto no movimento ativo quanto no passivo.
- Tendinite no ombro: o tendão está sobrecarregado e dói numa faixa do movimento, mas o braço vai até o fim quando alguém o conduz.
- Bursite no ombro: a bolsa de deslizamento está irritada, com dor espalhada, sem bloqueio de cápsula.
- Lesão do manguito rotador: há descontinuidade de fibras e perda de força, com a amplitude passiva normalmente preservada.
O curso costuma ser descrito em três fases, e saber em qual delas a pessoa está muda a expectativa de tudo o mais:
- Fase dolorosa, ou de congelamento. A dor domina, aparece à noite e incomoda em repouso. A mobilidade começa a cair sem a pessoa perceber.
- Fase rígida, ou congelada. A dor costuma diminuir e a limitação fica evidente: é quando a pessoa nota que não alcança mais o que alcançava.
- Fase de recuperação, ou de descongelamento. A mobilidade volta de forma lenta e gradual ao longo de meses.
As fases não têm fronteiras nítidas e o tempo de cada uma varia muito. Ainda assim, saber que o quadro tem curso próprio evita duas armadilhas: forçar demais numa fase reativa e desistir do acompanhamento numa fase em que o ganho é lento por natureza.
O que costuma causar
Boa parte dos casos aparece sem causa identificável, o que já é um dado em si. Os fatores mais associados na avaliação são:
- Diabetes, a associação mais consistente na literatura, com quadros que tendem a ser mais prolongados.
- Alterações da tireoide, de menos ou de mais função.
- Faixa etária entre 40 e 60 anos, com mais frequência em mulheres.
- Período de imobilização do braço, depois de fratura ou de cirurgia no ombro ou na mama.
- Outra dor de ombro mal acompanhada, que leva a pessoa a evitar o movimento por semanas, e o ombro evitado tende a enrijecer.
Vale registrar o que não é verdade: o ombro congelado não é provocado por frio, apesar do nome, e não é sinal de que algo rompeu dentro da articulação. O nome descreve a sensação de travamento, e nada além disso.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Perda de movimento que começou depois de queda, fratura ou luxação
- Ombro quente, vermelho e inchado, em especial com febre
- Perda de força importante, e não apenas de amplitude
- Dormência que desce pelo braço até a mão
- Perda de peso sem explicação, histórico de câncer ou dor que piora sem nenhum período de alívio
- Dor no ombro esquerdo junto com aperto no peito, falta de ar ou suor frio, que é situação de emergência
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido cedo, tão logo a pessoa note que está perdendo alcance de movimento.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta mede amplitude ativa e passiva em cada direção, dá atenção especial à rotação externa e procura definir em que fase o ombro está, porque é essa leitura que orienta todo o resto. Também levanta condições de saúde associadas, já que diabetes e tireoide mudam o que se espera do curso.
A segunda é o movimento. Em linhas gerais, busca manter e recuperar amplitude com demanda ajustada à fase, e o ritmo é a variável central: na fase dolorosa a condução costuma ser mais suave, e na rígida tende a ser mais exigente. O trabalho de força entra conforme a mobilidade volta.
Esta página não indica exercício para ombro congelado, e a razão é específica desta condição. Forçar amplitude na fase errada é o erro clássico aqui: numa cápsula muito reativa, o alongamento agressivo tende a aumentar a dor e a piorar a limitação, enquanto na fase rígida a demanda precisa ser maior do que a pessoa faria sozinha. Quem decide a hora é quem mede o ombro, com as mãos, e não um texto. Uma sequência de vídeo também não sabe se o caso é de capsulite ou de uma lesão com perda de força, e as duas pedem condutas diferentes. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro. Saber que o curso é longo e tem fases reduz a angústia e sustenta a continuidade do acompanhamento, que é o que costuma faltar quando alguém espera melhora em poucas semanas.
Recursos como calor, terapia manual e eletroterapia costumam aparecer como apoio para a pessoa se movimentar com mais conforto, e não como o centro do acompanhamento. Condutas médicas como infiltração podem entrar em fases específicas, e essa decisão é do médico.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento descrito na literatura é de um quadro que se estende por muitos meses, somando as três fases, e que em parte dos casos deixa alguma limitação residual de amplitude. Pessoas com diabetes tendem a ter curso mais prolongado.
Esse tempo longo é a informação mais importante desta página, porque muda a forma de medir progresso. Comparar o ombro de hoje com o de uma semana atrás costuma ser frustrante; comparar com o de dois meses atrás mostra o que mudou.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Como diferenciar de uma tendinite?
Pelo comportamento do movimento passivo. Na tendinite no ombro o braço chega ao fim da amplitude quando outra pessoa o conduz, ainda que doa. No ombro congelado ele para antes, e nem quem examina consegue passar dali.
Forçar o braço ajuda a destravar mais rápido?
Forçar na fase dolorosa costuma piorar o quadro, e essa é uma das queixas mais comuns de quem tentou sozinho. A demanda precisa acompanhar a fase, e por isso a condução é individual.
Pode acontecer no outro ombro?
Pode. Ter tido de um lado aumenta a chance de acontecer do outro, em geral não ao mesmo tempo. Isso não é regra e varia conforme o caso.
Preciso de cirurgia?
Na maioria dos casos o acompanhamento é conservador. Procedimentos são considerados quando a limitação persiste apesar dele, e essa avaliação é médica.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando o quadro aparece depois de cirurgia, costuma ser acompanhado junto com a equipe que conduziu o procedimento.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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