Resposta direta
A dor no joelho é um sintoma, e não um diagnóstico. Ela pode vir da cartilagem, dos tendões, dos meniscos, dos ligamentos ou da própria forma como a pessoa distribui carga ao caminhar, agachar e subir escada. Na maioria dos casos não existe um culpado único: o que costuma haver é um desencontro entre a demanda que o joelho recebeu e o preparo que ele tinha para aquilo, seja por um aumento rápido de treino, seja por um período longo de pouca movimentação.
A fisioterapia é um dos caminhos mais usados quando a dor persiste, volta com frequência ou limita o dia a dia. Em geral o fisioterapeuta avalia como a pessoa se movimenta, o que piora e o que alivia o sintoma, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nesse acompanhamento varia conforme o caso, e por isso nenhuma orientação genérica encontrada na internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a dor no joelho
O joelho é a maior articulação do corpo e uma das mais exigidas. Ele une o fêmur à tíbia, tem a patela na frente deslizando num sulco do próprio fêmur, e conta com duas peças de fibrocartilagem entre os ossos, os meniscos. Quatro ligamentos mantêm o conjunto estável, e os músculos da coxa, do quadril e da perna controlam como ele se move.
Falar em dor no joelho, portanto, é falar de uma queixa que pode nascer em qualquer um desses lugares. Na prática clínica costuma ser útil começar pela localização do sintoma:
- Dor na frente, ao redor da patela, que é a apresentação mais comum e costuma piorar ao subir e descer escada e ao agachar.
- Dor por dentro, frequente em quadros de menisco medial e de desgaste articular.
- Dor por fora, comum em corredores e ciclistas, em geral ligada a sobrecarga de estruturas que passam pela lateral da articulação.
- Dor atrás, menos frequente, que pode envolver a musculatura posterior da coxa ou acúmulo de líquido na articulação.
Uma observação importa aqui, porque gera muita angústia: exame de imagem sozinho costuma explicar pouco. Alterações de cartilagem, de menisco e de articulação aparecem com frequência em pessoas que não sentem dor nenhuma, e a presença delas não significa automaticamente que sejam a origem do sintoma.
O que costuma causar
Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Aumento rápido de carga. Voltar a correr depois de meses parado, dobrar a quilometragem numa semana, começar agachamento com peso sem progressão.
- Pouca movimentação por longos períodos, que reduz a tolerância à carga do dia a dia.
- Baixa força e pouco controle de quadril e coxa, que fazem o joelho absorver demanda que deveria ser dividida com as articulações vizinhas.
- Desgaste articular, mais comum a partir da meia-idade, com dor que costuma ser pior no início do movimento e melhorar um pouco depois de aquecer.
- Lesão prévia, como entorse, lesão de menisco ou de ligamento, que muda a forma como a pessoa passa a carregar o membro.
- Peso corporal, sono ruim e estresse prolongado, que influenciam a carga mecânica, a percepção de dor e a velocidade de recuperação.
Vale dizer o que normalmente não está na lista. Joelho que estala sem dor, por si só, não é sinal de problema, e a ideia de que existe uma única forma correta de agachar, igual para todo mundo, não se sustenta bem.
Quando procurar atendimento
A maior parte dos episódios não exige investigação imediata. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Dor depois de queda, torção com estalo alto ou trauma direto
- Incapacidade de apoiar o peso do corpo sobre a perna
- Inchaço que aparece nas primeiras horas após o trauma
- Joelho que trava, bloqueia ou não estende por completo
- Sensação de que o joelho falha ou sai do lugar ao apoiar
- Joelho quente, vermelho e inchado, principalmente com febre
- Deformidade visível na articulação
- Panturrilha inchada, dolorida e endurecida junto com a dor no joelho
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta com frequência, ou quando atrapalha trabalho, sono e rotina.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta conversa sobre o histórico, sobre o que piora e o que alivia, e observa como a pessoa se movimenta: como levanta da cadeira, como sobe um degrau, como agacha, como caminha. Também é comum medir força e mobilidade para ter um ponto de partida. É o que orienta todo o resto.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve exercício progressivo, ajustado ao que a pessoa consegue fazer naquele momento e aumentado com o tempo.
Aqui cabe uma explicação franca, porque a internet está cheia de listas de exercício para joelho e esta página não vai ter uma. O motivo não é evasiva: é que a mesma dor de joelho pode pedir coisas opostas em duas pessoas diferentes. Quem chega com a articulação muito irritada costuma precisar começar com pouca carga e em ângulos que não aumentem a pressão na patela, enquanto quem chega com dor antiga e musculatura fraca costuma precisar do contrário, de mais carga e de progressão. Uma lista pronta não sabe em qual dessas situações o leitor está, não sabe se existe bloqueio articular ou instabilidade, e não mede a resposta no dia seguinte. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa, e é essa escolha que a avaliação individual existe para fazer.
A terceira é a educação sobre o quadro. Entender como dosar atividade ao longo da semana e por que o movimento geralmente faz parte da recuperação em vez de atrapalhá-la tem efeito documentado sobre o resultado.
Recursos como terapia manual, eletroterapia, calor e gelo costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: quadros ligados a sobrecarga recente costumam dar sinais de melhora ao longo de algumas semanas quando a carga é ajustada, e quadros antigos costumam exigir acompanhamento mais longo, com melhora gradual e possibilidade de oscilações pelo caminho.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Posso continuar treinando com dor no joelho?
Depende do que está por trás da dor e da intensidade dela, e essa é uma decisão que sai da avaliação, não de uma regra geral. O que se costuma orientar é evitar os dois extremos: nem parar tudo por tempo indeterminado, nem insistir em atividade que deixa o joelho pior por horas ou dias depois.
Preciso de ressonância para começar?
Na ausência dos sinais de alerta listados acima, o exame costuma não mudar a conduta nas primeiras semanas. Quem decide isso é o médico, a partir da avaliação.
Fisioterapia evita cirurgia?
Existem quadros em que o acompanhamento conservador costuma ser a primeira escolha e outros em que a avaliação cirúrgica entra cedo. Quem define isso é o médico junto com a pessoa, considerando o diagnóstico, a demanda e a resposta ao que já foi tentado.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando a queixa está ligada à prática esportiva, o acompanhamento pode envolver também a área esportiva, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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