Resposta direta
Pós-operatório de coluna é o período de recuperação depois de uma cirurgia na coluna cervical, torácica ou lombar, e abrange procedimentos muito distintos: a retirada de um fragmento de disco que comprimia um nervo, a ampliação do espaço por onde o nervo passa, a fixação de segmentos com parafusos e a correção de deformidades. O objetivo também muda: alguns são feitos para aliviar um sintoma na perna ou no braço, outros para estabilizar um segmento que não estava sustentando o corpo.
Não existe um pós-operatório de coluna genérico, existe o da cirurgia que aquela pessoa fez, e é o cirurgião que define o que pode e o que não pode. O protocolo considera o nível operado, se houve fixação, que estrutura foi retirada, o uso de colete e o que se encontrou durante o procedimento. Esta página descreve como costuma funcionar em linhas gerais, para que a pessoa compreenda o processo e faça perguntas melhores no retorno. Ela não conhece caso nenhum, e nenhuma orientação genérica encontrada na internet, inclusive esta, substitui aquele protocolo nem uma avaliação presencial. Havendo divergência, vale a orientação de quem operou.
O que é o pós-operatório de coluna
Os procedimentos mais comuns podem ser agrupados assim:
- Descompressão, quando se retira o que está comprimindo uma raiz nervosa ou a medula, como na retirada de fragmento de hérnia de disco. A dor irradiada costuma ser o alvo principal.
- Artrodese, ou fusão, quando dois ou mais segmentos são fixados para trabalhar como um só. Existe consolidação óssea acontecendo, e a proteção do que foi fixado costuma ser mais rígida.
- Correção de deformidade, em casos de escoliose, com reabilitação mais longa.
- Cirurgias por fratura ou instabilidade, em que a prioridade é restabelecer a sustentação.
A reabilitação costuma ser organizada em fases: controle da dor, cuidados com a ferida e forma de fazer as tarefas básicas do dia; retomada gradual do movimento e da caminhada; construção de força do tronco, do quadril e das pernas; e uma última fase voltada à atividade que a pessoa quer retomar, inclusive o trabalho.
A mudança de fase é decidida em reavaliação, por critérios, e não pelo calendário. Evolução da dor irradiada, recuperação de força e de sensibilidade no membro afetado, e tolerância a ficar de pé e a caminhar contam mais do que o número de dias desde a cirurgia. Isso vale de modo particular nas fusões, porque a consolidação óssea tem tempo próprio e é acompanhada pelo cirurgião.
O que costuma causar
Do lado do que leva à cirurgia, os motivos mais frequentes são:
- Hérnia de disco com compressão de raiz nervosa, quando a dor na perna ou no braço não cedeu ao acompanhamento conservador.
- Estreitamento do canal, com dor e cansaço nas pernas ao caminhar.
- Instabilidade entre vértebras, com escorregamento de um segmento sobre o outro.
- Fratura vertebral, por trauma ou por fragilidade óssea.
- Deformidades, como escolioses que progridem.
Vale registrar o que a cirurgia costuma tratar melhor: a compressão do nervo. A dor lombar mecânica que já existia antes pode persistir em algum grau, e saber disso de antemão evita frustração.
Do lado do que o pós-operatório enfrenta, o padrão é este:
- Fraqueza da musculatura do tronco, acentuada pelo tempo de pouca movimentação.
- Sintomas residuais no membro, como formigamento, que podem demorar a ceder.
- Medo de se mover, comum quando a pessoa viveu meses com dor forte.
- Restrições a respeitar, que variam conforme a técnica e envolvem a forma de girar o tronco, de se abaixar e de carregar peso.
- Condicionamento geral reduzido, que cobra retomada gradual.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem contato imediato com a equipe que operou:
- Febre ou calafrio nos dias seguintes à cirurgia
- Vermelhidão e calor ao redor da ferida, ou incisão que abre
- Secreção saindo do corte, com ou sem odor, inclusive líquido claro e abundante
- Dor súbita e desproporcional, diferente da dor que vinha melhorando
- Perda de força que aparece ou aumenta na perna, no pé, no braço ou na mão
- Dificuldade para controlar urina ou intestino, ou dormência entre as pernas, que pedem atendimento de urgência
- Panturrilha inchada, endurecida e dolorida, sobretudo de um lado só
- Falta de ar ou dor no peito, que pedem atendimento de urgência
Fora desses casos, as dúvidas seguem para os retornos marcados e para as sessões, onde a mudança de sintoma é percebida cedo.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta avalia o protocolo recebido, o nível operado, as restrições descritas, o uso de colete, o estado da ferida, a dor local e a irradiada, a força e a sensibilidade do membro, e como a pessoa faz as transferências.
A segunda é o movimento, dentro do que o protocolo autoriza. Em linhas gerais o trabalho começa pela forma de realizar as tarefas do dia com menos sobrecarga e pela caminhada em progressão confortável, e avança para mobilidade, controle do tronco, força e resistência.
Esta página não indica exercício, carga, amplitude nem postura para coluna operada. O que é liberado depois de uma descompressão simples pode ser justamente o que se evita depois de uma fusão, e um movimento apropriado numa fase avançada pode atrapalhar a consolidação se feito cedo demais. Um texto não sabe o nível operado nem o que foi fixado. Quem autoriza é o cirurgião, e quem ajusta a execução dentro dessa autorização é o fisioterapeuta que acompanha.
A terceira é a educação sobre o processo: entender o que é esperado sentir, o que é sinal de alerta, e por que voltar a se mover de forma gradual faz parte da recuperação.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é o de um processo por fases, em que o alívio da dor irradiada costuma vir antes da recuperação de força, e a sensibilidade pode ser a mais lenta de todas, porque nervo tem ritmo próprio. Procedimentos com fixação costumam ter recuperação mais longa do que descompressões isoladas.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende do procedimento, da fase, do objetivo da pessoa e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Posso sentar, caminhar e subir escada?
Isso varia conforme o caso, e a orientação vem do cirurgião. Em muitos procedimentos a caminhada é estimulada cedo, enquanto outras atividades ficam limitadas. A folha de alta é o que vale.
Continuo com formigamento na perna. Está errado?
Sintomas residuais no trajeto do nervo são comuns depois de uma descompressão e podem levar tempo para ceder. Formigamento que aumenta, ou que vem acompanhado de perda de força, é assunto para contato imediato com a equipe.
Preciso usar colete?
Depende do procedimento e da indicação médica. Quando o colete é prescrito, o tempo de uso faz parte do protocolo, e não de uma regra geral.
Posso voltar a trabalhar e a carregar peso?
Essa liberação é do médico e leva em conta o tipo de trabalho. Atividades com carga e com movimentos repetidos de tronco costumam ser as últimas a serem liberadas.
Vou ficar sem dor nenhuma?
Não é assim que se costuma medir o resultado. Em muitos casos o alvo principal da cirurgia é a compressão do nervo, e a dor mecânica pode persistir em algum grau. A evolução é acompanhada por função: caminhar mais, dormir melhor, voltar a atividades que estavam impedidas.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Havendo comprometimento neurológico, o acompanhamento pode ser conduzido junto com a área neurofuncional, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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