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Clínicas de Fisioterapia

Condição: equilíbrio. Especialidade: fisioterapia vestibular

Fisioterapia para vertigem posicional

A vertigem posicional dá crises curtas ao mexer a cabeça e é a causa mais comum de vertigem. Veja os sinais, quando procurar ajuda e o que a fisioterapia faz.

Publicado em Revisado em Editora BYTX LTDALeitura de 7 minutos

Resposta direta

Vertigem posicional é a sensação de que o ambiente gira em crises curtas, disparadas por uma mudança de posição da cabeça: deitar, virar na cama, olhar para cima ou abaixar para pegar algo no chão. A crise costuma durar segundos, vem forte, muitas vezes com náusea, e passa quando a cabeça fica parada. Entre uma crise e outra a pessoa em geral está bem, e essa é a marca do quadro. Não costuma haver perda de audição nem zumbido.

Ela acontece porque pequenos cristais de cálcio, normalmente alojados numa parte do labirinto, se deslocam para dentro dos canais que detectam o movimento da cabeça, e ali passam a mandar informação errada ao cérebro a cada mudança de posição. É a causa mais comum de vertigem e é boa parte do que se chama de labirintite no Brasil. Em geral o fisioterapeuta avalia com testes de posição, observando o movimento dos olhos, e a conduta varia conforme o caso, porque depende de qual canal está envolvido. Nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.

O que é a vertigem posicional

Dentro do labirinto existem duas pequenas câmaras onde ficam cristais de carbonato de cálcio, que informam ao cérebro a posição da cabeça em relação à gravidade. Ao lado delas ficam três canais semicirculares de cada lado, orientados em planos diferentes, que detectam rotação.

Quando alguns desses cristais se soltam e entram em um dos canais, o movimento da cabeça naquele plano faz o líquido de dentro do canal se mexer de forma exagerada. O cérebro recebe a informação de que a cabeça girou muito mais do que girou, e o resultado é a vertigem. Isso explica três características do quadro:

  • A crise é curta, porque termina quando os cristais param de se mover.
  • Ela é disparada por posição, sempre mais ou menos nos mesmos movimentos.
  • Não há sintoma auditivo, porque a parte da audição não está envolvida.

O canal mais afetado é o posterior, mas o lateral e, com menos frequência, o anterior também podem estar. Muda também o mecanismo: os cristais podem estar soltos no canal ou aderidos à estrutura sensorial dele, e isso altera a duração da crise. O que diferencia um caso do outro é a direção e o tempo do movimento involuntário dos olhos durante um teste de posição, algo que não se percebe de fora.

O que costuma causar

Na maioria dos casos não se identifica um motivo para o deslocamento dos cristais. Os fatores mais associados são:

  • Idade mais avançada, com aumento da frequência a partir dos 50 anos.
  • Trauma na cabeça, mesmo leve, incluindo acidentes e quedas.
  • Períodos longos deitado, como internações e repouso prolongado.
  • Procedimentos com a cabeça em posição fixa por muito tempo, como algumas cirurgias e atendimentos odontológicos longos.
  • Enxaqueca, associada a maior frequência do quadro.
  • Alterações do metabolismo ósseo e níveis baixos de vitamina D, associados inclusive à recorrência.
  • Quadros prévios do ouvido interno, como uma inflamação anterior.

Boa parte das pessoas com vertigem posicional não tem nenhum desses fatores.

Quando procurar atendimento

Alguns sinais pedem atendimento imediato, porque tontura também vem de causas graves:

  • Tontura junto com fala alterada, fraqueza ou dormência de um lado do corpo, boca torta ou visão dupla, que levanta a suspeita de AVC e é urgência
  • Dor de cabeça de início súbito e muito intensa
  • Vertigem contínua que dura horas sem parar, porque esse não é o padrão da vertigem posicional
  • Desequilíbrio que impede a pessoa de andar, mesmo sem a crise
  • Perda auditiva súbita
  • Tontura que começou depois de um trauma na cabeça

Fora da urgência, procurar avaliação faz sentido já no primeiro episódio, e principalmente quando houve queda ou quando o medo de cair passou a limitar a rotina. Em pessoas idosas isso pesa mais, porque a queda traz riscos próprios.

O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos

Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.

A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta faz testes em que a cabeça é levada a posições determinadas enquanto ele observa os olhos, muitas vezes com lentes que impedem a fixação do olhar, porque a fixação disfarça o sinal. A direção do movimento ocular, o tempo até ele começar e a duração indicam qual canal está envolvido, de que lado e por qual mecanismo.

A segunda é a conduta a partir do que foi encontrado, que aqui são manobras de reposicionamento: sequências de mudança de posição da cabeça e do corpo desenhadas para levar os cristais de volta ao lugar de onde saíram.

Esta página não ensina nenhuma manobra, e a razão é específica desta condição. A internet está cheia de vídeo de manobra para fazer em casa, e o problema não é a manobra: é que cada canal tem a sua, e a de um canal não serve para outro. Aplicar a sequência errada pode deslocar os cristais para um canal diferente daquele em que estavam, o que troca um quadro por outro e costuma deixar a pessoa pior sem que ela entenda por quê. Além disso, a manobra só faz sentido se o quadro for mesmo vertigem posicional: se a tontura vier de outra origem, ela não tem alvo. Há ainda situações em que a posição exigida precisa ser adaptada, por causa da coluna cervical, do ombro ou de condições cardiovasculares. Quem decide isso é quem observou os olhos durante o teste.

A terceira é a orientação depois: o que observar nos dias seguintes, quando reavaliar e, se restar insegurança ao se mover, um trabalho gradual de equilíbrio e de estabilidade do olhar.

Quanto tempo costuma durar

Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. Cada crise dura segundos, e o quadro como um todo pode se estender por dias ou semanas quando nada é feito. Quando o canal é identificado e a conduta é aplicada, a literatura descreve melhora em poucas sessões na maior parte dos casos, o que não é promessa para nenhum caso específico.

Recorrência é comum, e saber disso evita interpretar um novo episódio como sinal de que algo deu errado. Em parte das pessoas o quadro volta meses ou anos depois, às vezes no mesmo canal, às vezes em outro, e a avaliação é refeita.

O número de sessões varia conforme o caso, e depende do canal envolvido, do mecanismo, de haver ou não mais de uma origem para a tontura e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.

Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.

Perguntas frequentes

É a mesma coisa que labirintite?

Não. Labirintite descreve inflamação do labirinto, com vertigem contínua por horas ou dias e alteração de audição junto. A vertigem posicional dá crises de segundos ligadas ao movimento da cabeça e não afeta a audição. O primeiro nome acabou virando termo guarda-chuva no Brasil.

Por que não posso fazer a manobra que vi em vídeo?

Porque a manobra correta depende de qual canal está afetado e de que lado, e isso só se define observando os olhos durante um teste. A sequência de outro canal pode empurrar os cristais para o lugar errado e piorar o quadro.

A vertigem posicional volta?

Pode voltar, e isso é frequente. Voltar não significa que o acompanhamento anterior falhou: significa que cristais se deslocaram de novo. A avaliação costuma ser refeita, porque o canal envolvido pode ser outro.

Minha tontura pode vir do pescoço?

Pode, e essa origem entra na avaliação quando há dor cervical associada e a tontura piora ao movimentar o pescoço. Mais de uma origem pode coexistir na mesma pessoa.

Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?

A fisioterapia vestibular, área dedicada às alterações de equilíbrio. Conforme o caso, o acompanhamento pode ser feito junto com a otorrinolaringologia.

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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.

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