Resposta direta
DPOC é a sigla de doença pulmonar obstrutiva crônica, um quadro em que a passagem de ar pelos pulmões fica persistentemente limitada. O sinal mais característico é a falta de ar que aparece no esforço e vai aumentando ao longo dos anos, em geral acompanhada de tosse e de secreção. É uma das principais causas de morte no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde, e o fator mais associado é a exposição prolongada a fumaça, seja de cigarro, seja de queima de lenha e carvão dentro de casa.
É uma condição crônica, e dizer isso não é o mesmo que dizer que não há o que fazer. A reabilitação pulmonar é descrita de forma consistente como parte do cuidado, junto com a condução médica. Em geral o fisioterapeuta avalia a tolerância ao esforço, o padrão respiratório, a força muscular e as atividades que a pessoa deixou de fazer, e monta o acompanhamento a partir disso. O que entra varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica encontrada na internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a DPOC
Dentro do pulmão, o ar percorre brônquios cada vez menores até chegar aos alvéolos, onde acontece a troca de gases. Na DPOC duas alterações se combinam em proporções diferentes a cada caso: a inflamação crônica das vias aéreas, que as estreita e aumenta a produção de secreção, e a destruição da parede dos alvéolos, que reduz a superfície de troca e faz o pulmão perder elasticidade. Por isso a dificuldade maior costuma ser esvaziar o pulmão, e não enchê-lo: o ar fica retido e o tórax trabalha com desvantagem mecânica.
Os sintomas mais descritos são:
- Falta de ar no esforço, que começa em atividades intensas e vai descendo para tarefas cada vez mais simples.
- Tosse crônica, com ou sem secreção, muitas vezes atribuída por anos ao cigarro e não investigada.
- Chiado no peito e aperto torácico.
- Cansaço e perda de massa muscular, que fazem parte do quadro e não são apenas consequência da idade.
- Exacerbações, que são episódios de piora, com mais falta de ar, mais tosse e mudança na secreção. Elas pesam muito no curso da condição.
Há um ciclo que a reabilitação tenta interromper: a falta de ar leva a pessoa a evitar esforço, evitar esforço reduz o condicionamento, e menos condicionamento faz o mesmo esforço gerar mais falta de ar. Quem chega ao serviço com meses desse ciclo em geral tem parte da limitação vindo da musculatura, não só do pulmão.
O diagnóstico é médico e se confirma com espirometria, um exame que mede o fluxo de ar. Falta de ar sozinha não define o quadro, porque coração, anemia, obesidade e ansiedade produzem sintoma parecido.
O que costuma causar
Os fatores descritos com mais frequência são:
- Tabagismo, incluindo cigarro comum, palheiro, cachimbo e narguilé, e também a exposição passiva prolongada.
- Fumaça de lenha e de carvão dentro de casa, que é fator importante no Brasil, sobretudo entre mulheres que cozinharam anos em fogão a lenha sem ventilação.
- Exposição ocupacional a poeira, vapores e produtos químicos.
- Poluição do ar em ambiente externo.
- Infecções respiratórias graves ou repetidas na infância.
- Asma mal controlada ao longo de anos.
- Deficiência de alfa-1 antitripsina, causa genética pouco frequente, que costuma se manifestar mais cedo.
Uma correção que importa: nem todo mundo que tem DPOC fumou, e nem todo mundo que fumou desenvolve DPOC. Tratar a condição como consequência automática de uma escolha pessoal atrasa diagnóstico em quem nunca fumou e produz culpa que não ajuda em nada no cuidado.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem atendimento imediato, e vale reconhecê-los:
- Falta de ar que piora de forma rápida ou que aparece em repouso
- Lábios ou pontas dos dedos arroxeados
- Confusão mental, sonolência fora do comum ou dificuldade de completar uma frase
- Febre com aumento da secreção ou mudança de cor dela
- Dor no peito ou inchaço nas pernas que apareceu junto
Fora dessas situações, procurar avaliação médica faz sentido diante de falta de ar no esforço que vem aumentando, tosse que passa de semanas, chiado frequente ou histórico de exposição a fumaça, mesmo sem sintoma marcante.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta mede a tolerância ao esforço com testes padronizados, observa o padrão respiratório, avalia força muscular, investiga quais tarefas do dia a dia a pessoa abandonou e verifica a saturação de oxigênio durante a atividade, não só em repouso.
A segunda é o treino, que é o centro da reabilitação pulmonar. Em linhas gerais envolve exercício aeróbico e de força com progressão controlada, além de técnicas de controle da respiração e de higiene brônquica quando há secreção. Esta página não indica exercício nem técnica: intensidade, tipo e monitorização dependem do estágio, da saturação, das comorbidades e do que a avaliação encontrou, e o que serve para uma pessoa pode ser inadequado para outra com o mesmo diagnóstico.
A terceira é a educação, que inclui reconhecer os sinais de exacerbação cedo, conferir com a equipe se o dispositivo inalatório está sendo usado da forma correta, organizar as tarefas para gastar menos energia e manter o calendário de vacinação em dia. O apoio à cessação do tabagismo é conduzido pela equipe de saúde e é a medida com maior efeito descrito sobre a progressão.
O acompanhamento caminha junto com a condução médica: medicação, oxigênio domiciliar e demais condutas são decisão do médico que acompanha o caso.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. Por ser uma condição crônica, o acompanhamento é de longo prazo. Programas de reabilitação pulmonar costumam ser descritos em ciclos de algumas semanas, com sessões distribuídas ao longo desse período, seguidos de uma fase de manutenção, porque o ganho obtido tende a se perder quando a atividade para.
O número de sessões varia conforme o caso, porque depende do estágio, das comorbidades, da frequência de exacerbações e do objetivo da pessoa. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
A reabilitação pulmonar está prevista na rede pública, em geral com encaminhamento a partir da unidade básica para ambulatório ou serviço especializado, e o caminho muda de um município para outro: vale entender como funciona a fisioterapia pelo SUS antes de procurar atendimento particular. Sobre valores, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia.
Perguntas frequentes
Parar de fumar ainda adianta depois do diagnóstico?
Sim. A cessação do tabagismo aparece de forma consistente na literatura como a medida com maior efeito sobre a velocidade de perda da função pulmonar, em qualquer estágio. Ela não desfaz o que já aconteceu, e é diferente disso.
Quem tem falta de ar deve evitar esforço?
Em geral é o contrário, e essa é uma das razões de existir reabilitação pulmonar: evitar esforço aumenta a falta de ar com o tempo. O tipo e a intensidade da atividade são definidos por quem avalia, com monitorização.
DPOC e asma são a mesma coisa?
Não. A asma costuma começar mais cedo, tem variação dos sintomas ao longo do tempo e responde de outra forma à medicação. As duas podem coexistir, e separar uma da outra faz parte da avaliação médica.
Fisioterapia respiratória é só tapotagem?
Não. As técnicas de higiene brônquica são uma parte, indicada quando há secreção que a pessoa não consegue eliminar sozinha. O centro da reabilitação pulmonar é o treino de exercício, e é dele que vem a maior parte do ganho descrito.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia respiratória. Quando há perda importante de massa muscular ou limitação para as tarefas do dia a dia, o acompanhamento pode envolver outras áreas, conforme a avaliação.
Clínicas de fisioterapia nas maiores cidades
As 12 cidades com mais clínicas no diretório. A lista de cada cidade mostra as clínicas de fisioterapia com CNPJ ativo, bairro a bairro. Para outra cidade, busque pelo nome.
Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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