Resposta direta
Condromalácia patelar é o nome dado ao amolecimento e ao desgaste da cartilagem que reveste a face de trás da patela, o osso que fica na frente do joelho. O termo descreve o estado daquela cartilagem, em geral visto num exame de imagem, e ele não é sinônimo automático de dor: esse achado aparece em muitas pessoas sem sintoma nenhum, e há quem tenha dor importante na frente do joelho com a cartilagem praticamente íntegra.
Quando existe dor associada, ela costuma aparecer ao subir e descer escada, ao agachar e depois de longos períodos com o joelho dobrado. A fisioterapia é um dos caminhos mais usados nesses casos. Em geral o fisioterapeuta avalia força, mobilidade e a forma como a pessoa se movimenta, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a condromalácia patelar
A patela desliza num sulco na frente do fêmur toda vez que o joelho dobra e estica. Para que isso aconteça com pouco atrito, a face de trás da patela é coberta por cartilagem, um tecido liso e sem inervação própria. Quando essa cartilagem perde parte da lisura e da consistência, o achado recebe o nome de condromalácia.
Ela costuma ser graduada em quatro estágios, do amolecimento discreto até a exposição do osso abaixo da cartilagem. Vale insistir: o grau descrito no laudo não prevê bem a intensidade da dor nem o prognóstico da pessoa. Cartilagem não tem terminação nervosa, então a dor percebida vem de estruturas ao redor, como o osso abaixo dela e os tecidos que se inserem na patela.
Na prática clínica, o quadro é discutido junto com a chamada dor femoropatelar, que é o nome mais amplo dado à dor na frente do joelho independentemente do que aparece na imagem. O raciocínio do acompanhamento se apoia mais no que a pessoa sente e em como ela se move do que no grau escrito no laudo.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Distribuição desigual de carga na articulação, quando a patela recebe pressão concentrada numa região da cartilagem em vez de dividida.
- Aumento rápido de demanda, como voltar a correr depois de meses parado ou aumentar peso no agachamento sem progressão.
- Baixa força de quadríceps e de quadril, que reduz o controle do membro e muda a forma como a patela se comporta durante o movimento.
- Pouca mobilidade em tornozelo ou quadril, que desloca demanda para o joelho.
- Traumas diretos na frente do joelho, como uma queda de joelhos no chão.
- Fatores anatômicos, como a profundidade do sulco do fêmur e a posição da patela, que variam bastante entre pessoas.
- Idade e histórico da articulação, já que o desgaste de cartilagem faz parte do envelhecimento de qualquer articulação em algum grau.
O que costuma não ser verdade é a ideia de que a pessoa precisa abandonar atividade física. Em geral acontece o oposto: a atividade dosada faz parte do manejo, e quem para tudo tende a perder força e tolerância, o que costuma deixar o joelho mais sensível.
Quando procurar atendimento
A maior parte dos quadros não exige investigação imediata. Ainda assim, alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Dor depois de queda, torção ou trauma direto sobre a patela
- Incapacidade de apoiar o peso do corpo sobre a perna
- Inchaço nas primeiras horas após um trauma
- Joelho que trava, bloqueia ou não estende por completo
- Sensação de que a patela sai do lugar ou de que o joelho falha
- Joelho quente, vermelho e inchado, principalmente com febre
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta sempre que a pessoa tenta retomar a atividade, ou quando atrapalha a rotina.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta conversa sobre o histórico, sobre o que piora e o que alivia, e observa a pessoa em tarefas que costumam reproduzir o sintoma: subir um degrau, agachar, levantar da cadeira. Também é comum medir força de coxa e de quadril, para ter um ponto de partida que possa ser comparado depois.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve exercício progressivo, com dois cuidados frequentes na literatura sobre dor femoropatelar: dosar a carga dentro do que aquele joelho tolera naquela fase e construir força de forma gradual ao longo de semanas.
É aqui que esta página se afasta do que a internet costuma oferecer. Existem dezenas de listas de exercício para condromalácia circulando, e nenhuma delas pode ser responsável, porque a escolha depende de informações que uma lista não tem. O ângulo de flexão em que o joelho é carregado muda a pressão na patela, e o ângulo que alivia um joelho irritado é justamente o que deixa outra pessoa sem estímulo suficiente. A quantidade de carga depende da força atual, de quanto a pessoa caminha por dia e de como ela respondeu à sessão anterior. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com o mesmo laudo, e é por isso que a decisão sai da avaliação individual.
A terceira é a educação sobre o quadro. Boa parte do trabalho é explicar que o grau do laudo não define o destino da pessoa, que dor não é sinônimo de dano progressivo e que dosar atividade ao longo da semana costuma importar mais do que evitar movimentos isolados.
Recursos como terapia manual, bandagem e eletroterapia costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: quadros de dor femoropatelar costumam responder de forma lenta e progressiva, com ganhos percebidos ao longo de semanas a meses, e não de dias. Ganho de força leva tempo por uma questão fisiológica, e essa é uma das razões pelas quais abandonar o acompanhamento na primeira melhora costuma acabar em retorno do sintoma.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Condromalácia tem volta?
A cartilagem tem capacidade limitada de se regenerar, e por isso o achado em si costuma permanecer no exame. Isso não significa que o sintoma precise permanecer: em muitos casos a dor diminui bastante com ajuste de carga e ganho de força, mesmo sem mudança no laudo.
Posso correr ou agachar com condromalácia?
Não existe proibição automática. Corrida e agachamento costumam ser retomados de forma gradual em boa parte dos casos, com ajuste de volume e de frequência. Quem define isso é o profissional que acompanha a pessoa.
Precisa de cirurgia?
Na maioria dos casos o caminho inicial é conservador. A avaliação cirúrgica costuma ser discutida em situações específicas, e quem indica isso é o médico.
O grau da condromalácia define a gravidade?
Ele descreve o estado da cartilagem naquele exame, e só. A correspondência entre grau e intensidade de dor é fraca, e é comum encontrar graus avançados em pessoas sem queixa e graus leves em pessoas com dor importante.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando a queixa aparece ligada a treino ou competição, o acompanhamento pode envolver também a área esportiva, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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