Resposta direta
Tendinite patelar é o nome popular para a dor no tendão que liga a patela à tíbia, logo abaixo do joelho. Ela é tão associada a esportes de salto que ganhou o apelido de joelho do saltador, e aparece com frequência em vôlei, basquete, handebol e atletismo. O sintoma típico é uma dor bem localizada num ponto do tendão, que costuma piorar ao saltar, ao aterrissar e ao descer escada, e que muitas vezes some durante o aquecimento e volta com força horas depois.
O termo mais usado hoje na literatura é tendinopatia patelar, porque o que se observa no tecido costuma ser menos um processo inflamatório clássico e mais uma alteração na estrutura do tendão ligada a sobrecarga repetida. Em geral o fisioterapeuta avalia carga de treino, força e a forma como a pessoa salta e aterrissa, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a tendinite patelar
O tendão patelar é uma faixa espessa de tecido que sai da ponta inferior da patela e se insere na frente da tíbia. É por ele que a força do quadríceps chega à perna toda vez que alguém estende o joelho, salta ou freia o corpo ao aterrissar. A queixa costuma nascer de um desencontro entre a carga aplicada e a capacidade que o tendão tinha naquele momento.
Duas características ajudam a reconhecer o quadro. A primeira é a localização: a dor costuma ser apontada com um dedo, num ponto fixo, quase sempre na ponta de baixo da patela. A segunda é o comportamento ao longo do tempo. É comum a dor aparecer no começo da atividade, diminuir enquanto o corpo aquece e voltar mais forte horas depois ou no dia seguinte. Essa resposta atrasada engana: quem julga o treino apenas pelo que sentiu durante ele tende a aumentar carga demais.
Costuma-se descrever a evolução em fases, da dor que aparece só depois do esforço até a dor presente durante toda a atividade e nas tarefas do dia a dia. O acompanhamento tende a ser diferente em cada fase, e a expectativa de tempo também muda.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Aumento rápido de volume ou de intensidade de treino, especialmente de saltos e de aterrissagens, que é o fator mais citado.
- Retomada depois de uma pausa, quando a pessoa volta ao mesmo nível em que parou sem reconstruir capacidade.
- Pouca recuperação entre sessões, com treinos pesados em dias seguidos.
- Baixa força e pouca tolerância do quadríceps.
- Mudança de superfície ou de calçado, como sair de quadra de madeira para piso duro.
- Sono ruim, estresse prolongado e períodos de alta carga competitiva, que influenciam a recuperação do tecido.
O que costuma não ajudar é o repouso absoluto prolongado. Tendão que fica sem estímulo perde capacidade de carga, e a volta à atividade tende a reproduzir o sintoma. Na maioria dos casos o manejo passa por ajustar a carga, não por zerá-la.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Estalo alto no momento de um salto, seguido de perda de força
- Incapacidade de estender o joelho ativamente ou de apoiar o peso do corpo
- Patela que parece ter subido de posição após um esforço intenso
- Inchaço que aparece nas primeiras horas após um trauma
- Joelho quente, vermelho e inchado, principalmente com febre
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
- Dor no joelho em criança ou adolescente em fase de crescimento, que costuma envolver outras condições
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta sempre que o treino aumenta, ou quando começa a aparecer em tarefas simples do dia a dia.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta levanta o histórico de treino das últimas semanas, identifica o ponto exato da dor, testa força e tolerância do quadríceps e observa a pessoa em tarefas que reproduzem o sintoma. Também é comum registrar como a dor se comporta nas 24 horas seguintes a um esforço, porque essa resposta costuma guiar a progressão.
A segunda é o movimento. Em geral o acompanhamento envolve exercício progressivo de força para o tendão e para o membro inteiro, com aumento gradual de exigência ao longo de semanas, e um trabalho paralelo de ajuste da carga de treino.
Esta página não traz lista de exercício para tendinite patelar, e vale explicar por quê, já que a internet está cheia delas. Numa tendinopatia, a variável que decide o resultado é a dose: quanto peso, quantas repetições, em que velocidade e quantas vezes por semana. Essa dose se define a partir do que aquele tendão tolera hoje, medido na avaliação e reavaliado a cada semana, e não a partir de um valor médio. A mesma progressão que faz um atleta evoluir pode irritar o tendão de outra pessoa que está em fase mais sensível ou que treina todos os dias. Uma lista pronta não conhece a fase, não conhece o calendário de competição e não mede a resposta no dia seguinte. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro: entender a resposta atrasada da dor, distribuir treino ao longo da semana e aceitar que a melhora de um tendão costuma ser lenta e não linear.
Recursos como terapia manual, bandagem e eletroterapia costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: tendinopatias costumam responder devagar, com melhora percebida ao longo de semanas a meses, e quadros antigos tendem a exigir acompanhamento mais longo. Oscilações fazem parte do caminho, e uma piora pontual depois de uma semana mais pesada não significa que tudo recomeçou do zero.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Preciso parar de treinar?
Parada total costuma não ser o caminho, porque o tendão perde capacidade de carga quando fica sem estímulo. O que se costuma ajustar é o volume de salto e de impacto. Como fazer esse ajuste sai da avaliação, porque depende da fase e do calendário da pessoa.
Tendinite patelar é a mesma coisa que tendinopatia?
São nomes para o mesmo território. O termo tendinopatia é preferido hoje porque descreve melhor o que se encontra no tecido, que em geral envolve alteração estrutural por sobrecarga e nem sempre um processo inflamatório clássico.
Gelo adianta alguma coisa?
O gelo costuma aparecer como recurso de conforto por um período curto, e não muda o rumo do quadro sozinho. A parte que costuma mudar o rumo é o ajuste de carga somado ao exercício progressivo conduzido ao longo do tempo.
Anti-inflamatório ajuda?
Essa é uma decisão médica, e não de fisioterapia. Vale registrar que a medicação pode reduzir o sintoma sem alterar a capacidade do tendão.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Quando a queixa está ligada a treino, salto ou competição, a fisioterapia esportiva é a área que costuma conduzir o caso, inclusive na fase de retorno à prática. Em contexto não esportivo, o acompanhamento pode ser feito por outras áreas, conforme a avaliação.
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Especialidade: Fisioterapia esportiva
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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