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Clínicas de Fisioterapia

Condição: ombro. Especialidade: fisioterapia ortopédica e traumatológica

Fisioterapia para manguito rotador

A lesão do manguito rotador atinge as fibras do tendão e costuma tirar força do braço. Veja causas, sinais de alerta e o que a fisioterapia costuma fazer.

Publicado em Revisado em Editora BYTX LTDALeitura de 7 minutos

Resposta direta

Lesão do manguito rotador é a descontinuidade das fibras de um dos quatro tendões que estabilizam a cabeça do úmero dentro do ombro, com muita frequência o do supraespinal. Ela pode ser parcial, quando parte da espessura do tendão está comprometida, ou completa, quando a espessura inteira está interrompida. A queixa que mais chama atenção não é a dor em si, e sim a dificuldade de erguer e de sustentar o braço: pentear o cabelo, pegar algo numa prateleira alta, manter o braço parado na horizontal por alguns segundos.

É esse detalhe que separa esta condição das outras queixas de ombro. Nas demais o tendão está sensível, mas íntegro, e a força costuma estar mantida; aqui existe perda de continuidade do tecido, e a fraqueza faz parte do quadro. Em geral o fisioterapeuta avalia força em vários ângulos, amplitude ativa e passiva, as compensações do tronco e o que a pessoa precisa fazer no dia a dia, e monta um acompanhamento a partir disso, junto com a conduta médica. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.

O que é a lesão do manguito rotador

Como quatro queixas do ombro doem quase no mesmo lugar, vale separar antes de seguir:

  • Lesão do manguito, o tema desta página: há descontinuidade de fibras, e a perda de força costuma ser o sinal mais marcante.
  • Tendinite no ombro: o tendão está sobrecarregado e sensível, mas contínuo, e a força tende a estar preservada.
  • Bursite no ombro: quem está irritado é a bolsa de deslizamento, com dor mais espalhada e sensível à pressão.
  • Ombro congelado: quem endurece é a cápsula, e o braço perde amplitude mesmo quando outra pessoa tenta movê-lo, o que não acontece aqui.

O manguito é formado por supraespinal, infraespinal, subescapular e redondo menor, e eles não servem para levantar peso: servem para manter a cabeça do úmero centrada enquanto o deltoide faz a força maior. Quando esse sistema perde continuidade, é comum a pessoa compensar erguendo o ombro inteiro ou inclinando o tronco.

As lesões costumam ser separadas por origem, e essa separação muda a conversa:

  • Degenerativa, a mais comum. Aparece de forma gradual a partir da meia-idade, sem episódio marcante, e é encontrada também em ombros que não doem, cada vez mais conforme a idade sobe. O achado de exame, aqui, precisa ser lido junto com a história e o exame físico.
  • Traumática, quando surge depois de queda sobre o braço, tração brusca ou luxação. Aqui a perda de força costuma ser súbita e claramente datada pela pessoa, e esse cenário pede avaliação médica mais rápida.

O que costuma causar

Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:

  • Idade, que é o fator mais associado, porque o tendão muda de propriedade mecânica ao longo das décadas.
  • Anos de trabalho ou esporte com o braço acima da cabeça, com sobrecarga repetida no mesmo tendão.
  • Trauma agudo, como queda sobre a mão ou sobre o cotovelo, e luxação de ombro.
  • Sobrecarga inesperada, ao segurar um peso que escapou ou ao puxar algo travado.
  • Tabagismo, diabetes e colesterol alterado, associados a pior qualidade do tecido tendíneo.

Vale registrar o que costuma não ser verdade, porque gera medo desnecessário: nem toda lesão encontrada em exame precisa de cirurgia, e boa parte das degenerativas é acompanhada de forma conservadora com bom resultado funcional. A decisão passa pelo tipo de lesão, pela idade, pela demanda da pessoa e pela resposta ao acompanhamento, e é do médico.

Quando procurar atendimento

Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:

  • Perda súbita de força para erguer o braço depois de queda, tração ou pancada
  • Incapacidade de manter o braço elevado, com o braço caindo quando solto nessa posição
  • Luxação de ombro, atual ou recente, com dor persistente depois dela
  • Dormência ou fraqueza que desce pelo braço até a mão
  • Ombro quente, vermelho e inchado, em especial com febre
  • Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite

Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a fraqueza aparece de forma gradual ou quando tarefas comuns com o braço elevado ficam inviáveis.

O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos

Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.

A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta testa força em posições que isolam cada parte do manguito, compara com o outro lado, confere se a amplitude passiva está preservada e levanta o que a pessoa precisa voltar a fazer. Em caso operado, considera também o protocolo do cirurgião, que estabelece prazos e limites de movimento próprios daquela técnica.

A segunda é o movimento. Em geral envolve recuperar amplitude com demanda controlada e, ao longo de semanas, construir força para o manguito e para a escápula. Em quadros não operados, a meta funcional costuma pesar mais do que a aparência do exame, porque um ombro pode recuperar função útil mesmo com a lesão presente.

Esta página não indica exercício para lesão do manguito rotador, e aqui a razão é ainda mais direta que nas outras queixas do ombro. O que pode ser feito muda por completo conforme a lesão seja parcial ou completa, operada ou não, e, no caso operado, conforme a semana de pós-operatório: um movimento indicado na décima semana pode comprometer a reparação se feito na terceira. Um texto não tem o laudo, não conhece a técnica cirúrgica e não mede a força do braço. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.

A terceira é a educação sobre o quadro: entender o que o laudo diz e o que ele não diz, e acompanhar a evolução por marcos de função, como voltar a alcançar um armário alto.

Recursos como terapia manual, eletroterapia e crioterapia costumam aparecer como apoio para deixar a pessoa mais confortável para se movimentar, e não como o centro do acompanhamento.

Quanto tempo costuma durar

Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: em acompanhamento conservador, a melhora de dor e de função costuma ser percebida ao longo de meses. Em casos operados, a reabilitação costuma ser dividida em fases longas, porque a reparação do tendão ao osso tem tempo biológico próprio.

O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.

Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.

Perguntas frequentes

Toda lesão do manguito precisa de cirurgia?

Não. Parte importante dos casos, sobretudo os degenerativos, é acompanhada sem cirurgia, com foco em recuperar função. A indicação depende do tipo de lesão, da idade, da demanda da pessoa e da resposta ao acompanhamento, e é do médico.

O tendão rompido se regenera sozinho?

Uma ruptura completa em geral não se refaz sozinha. Isso não significa que a função esteja perdida: o ombro pode recuperar movimento e capacidade com o trabalho da musculatura ao redor, e por isso o resultado se mede por função, e não só pelo exame.

É lesão do manguito ou é tendinite?

O exame físico separa melhor do que o sintoma. Na tendinite no ombro o tendão dói mas sustenta o braço; na lesão, a força costuma falhar nos testes. A confirmação em geral envolve exame de imagem pedido pelo médico.

Fiquei semanas de tipoia e o ombro endureceu. É normal?

Perda de mobilidade depois de um período imobilizado é algo esperado e acompanhado de perto na reabilitação, justamente para não evoluir para um quadro de ombro congelado.

Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?

Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica, inclusive no pós-operatório. Em atletas, a fase de retorno à prática costuma ser conduzida junto com a área esportiva, conforme a avaliação.

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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.

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