Resposta direta
Tendinite no ombro é a dor que nasce de um tendão sobrecarregado, quase sempre o do supraespinal, que passa por um corredor estreito abaixo do acrômio, ou o da cabeça longa do bíceps, na frente da articulação. O sintoma típico é dor ao erguer o braço acima da linha do peito, ao vestir uma camisa, ao pegar algo numa prateleira alta e ao deitar sobre o lado afetado. Muita gente descreve uma faixa de dor no meio do caminho do braço que alivia quando o movimento passa dela, o chamado arco doloroso.
O que separa a tendinite das outras queixas de ombro é qual tecido está envolvido e o que o braço ainda consegue fazer. Aqui o tendão está irritado e sensível, mas segue íntegro, então a força costuma estar preservada e a amplitude do movimento também, ainda que doída. Em geral o fisioterapeuta avalia mobilidade, força, a carga da rotina e a forma como o braço e a escápula se movem juntos, e monta um acompanhamento a partir disso. O que entra nele varia conforme o caso, e nenhuma orientação genérica da internet, inclusive esta página, substitui uma avaliação presencial.
O que é a tendinite no ombro
Quatro queixas do ombro doem quase no mesmo ponto, e por isso se confundem. A diferença muda o que o profissional procura na avaliação:
- Tendinite, o tema desta página: o tendão está sensível e sobrecarregado, a força costuma estar mantida.
- Bursite no ombro: quem irrita é a bolsa de deslizamento entre o tendão e o osso, e a dor tende a ser mais espalhada e mais intensa ao pressionar a região.
- Lesão do manguito rotador: existe descontinuidade de fibras do tendão, parcial ou total, e a queixa envolve perda de força, não apenas dor.
- Ombro congelado: quem endurece é a cápsula que envolve a articulação, e o braço perde amplitude mesmo quando outra pessoa tenta movê-lo.
Os tendões do manguito rotador, que estabilizam a cabeça do úmero contra a escápula, convergem para um espaço apertado, e é ali que a sobrecarga repetida costuma aparecer. Quando tendão, bolsa e o teto ósseo se irritam juntos, o conjunto é descrito como síndrome do impacto, um guarda-chuva e não um diagnóstico isolado.
Na literatura atual o termo preferido é tendinopatia, porque o que se encontra no tecido costuma ser menos um processo inflamatório clássico e mais uma alteração na estrutura do tendão, ligada ao desencontro entre a carga aplicada e a capacidade que ele tinha naquele momento. Isso explica por que parar tudo raramente basta: o tendão também perde capacidade sem estímulo.
O que costuma causar
Não existe uma causa única. Os fatores que mais aparecem na avaliação são:
- Atividade repetida com o braço acima da cabeça, em pintura, montagem, natação, vôlei, tênis, musculação com muito trabalho de ombro.
- Aumento rápido de carga, inclusive em mudanças de rotina que parecem inocentes, como uma reforma no fim de semana.
- Pouca força e pouca tolerância dos rotadores e da musculatura da escápula, que deixa o tendão assumindo demanda que deveria ser distribuída.
- Idade, porque a partir da meia-idade o tendão muda de propriedade mecânica e tolera menos variação brusca de carga.
- Diabetes, alterações da tireoide, sono ruim e estresse prolongado, que influenciam a recuperação do tecido.
Vale dizer o que costuma não explicar o quadro sozinho, porque gera muita angústia: o achado de exame de imagem. Alteração de tendão aparece com frequência em ombros que não doem, sobretudo depois dos 50 anos.
Quando procurar atendimento
Alguns sinais pedem avaliação médica sem esperar:
- Dor no ombro após queda, acidente ou trauma direto, principalmente com perda de força para erguer o braço
- Deformidade no contorno do ombro, ou sensação de osso fora do lugar
- Ombro quente, vermelho e inchado, em especial com febre
- Dormência ou formigamento que desce pelo braço até a mão, ou fraqueza da mão
- Dor que não melhora em repouso e que acorda a pessoa à noite
- Dor no ombro esquerdo junto com aperto no peito, falta de ar, suor frio ou enjoo, que é situação de emergência e não de ortopedia
Fora desses casos, procurar avaliação faz sentido quando a dor passa de algumas semanas, quando volta a cada aumento de rotina, ou quando atrapalha se vestir, dirigir e dormir.
O que a fisioterapia costuma fazer nesses casos
Descrevendo de forma geral, e sem que isso constitua orientação para um caso específico, o acompanhamento costuma ter três partes.
A primeira é a avaliação. O fisioterapeuta identifica em que faixa do movimento a dor aparece, testa força dos rotadores em diferentes ângulos, observa o ritmo entre braço e escápula e verifica se há perda de amplitude passiva, que é o que ajuda a separar esta queixa do ombro congelado. Também costuma registrar como o ombro responde nas 24 horas seguintes a um esforço.
A segunda é o movimento. Em geral envolve exercício progressivo de força para os rotadores e para a musculatura da escápula, com aumento gradual de exigência ao longo de semanas, somado ao ajuste das tarefas que mais carregam o ombro no dia a dia.
Esta página não traz lista de exercício para tendinite no ombro, e vale explicar por quê, já que a internet está cheia delas. Numa tendinopatia, a variável que decide o rumo é a dose: quanta carga, em que ângulo e quantas vezes por semana. Essa dose sai do que aquele tendão tolera hoje, medido na avaliação e reavaliado semana a semana, e não de um valor médio. Uma faixa elástica leve pode ser exigente demais numa fase sensível e insuficiente para quem já avançou. Uma lista pronta não conhece a fase, não sabe se há perda de força e não mede a resposta no dia seguinte. Um exercício adequado para uma pessoa pode ser inadequado para outra com a mesma queixa.
A terceira é a educação sobre o quadro: entender que dor nem sempre significa ruptura, que o tendão precisa de estímulo para recuperar capacidade e que a melhora costuma ser lenta e não linear.
Recursos como terapia manual, eletroterapia e calor costumam aparecer como apoio para a pessoa se movimentar com mais conforto, e não como o centro do acompanhamento.
Quanto tempo costuma durar
Não há resposta que sirva para todos, e desconfie de quem der uma. O comportamento geral é este: tendinopatias de ombro costumam responder devagar, com melhora percebida ao longo de semanas a meses, e quadros antigos tendem a exigir acompanhamento mais longo. Oscilações fazem parte do caminho.
O número de sessões também varia conforme o caso. Ele depende da fase, do objetivo da pessoa, do nível de atividade a que ela quer voltar e da resposta ao longo do acompanhamento. Uma reavaliação periódica costuma ser mais útil do que um número fechado no começo.
Sobre custo e cobertura, veja quanto costuma custar uma sessão de fisioterapia e como funciona a fisioterapia pelo SUS.
Perguntas frequentes
Como sei se é tendinite ou lesão do manguito?
Pela avaliação, e não pelo sintoma isolado, porque as duas doem em lugar parecido. O sinal que mais chama atenção é a força: quando o braço não sustenta uma posição elevada ou cede num teste, a suspeita passa a incluir lesão do manguito rotador.
Preciso parar de mover o braço?
Parada total costuma não ser o caminho, porque o tendão perde capacidade de carga quando fica sem estímulo, e o ombro imobilizado tende a enrijecer. O que se costuma ajustar é o volume de tarefas acima da cabeça. Como fazer esse ajuste sai da avaliação.
Tendinite no ombro é a mesma coisa que síndrome do impacto?
São termos que se sobrepõem. Síndrome do impacto descreve um conjunto de queixas do espaço abaixo do acrômio, que pode envolver tendão, bolsa ou os dois. Tendinite aponta especificamente para o tendão.
Qual especialidade da fisioterapia cuida disso?
Na maior parte dos casos, a fisioterapia ortopédica e traumatológica. Quando a queixa está ligada a treino ou competição, o acompanhamento pode ser conduzido junto com a área esportiva, conforme a avaliação.
Condições relacionadas
Especialidade: Fisioterapia ortopédica e traumatológica
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Aviso. Este conteúdo é informativo e não substitui uma consulta. Ele descreve o que costuma acontecer de forma geral e não se aplica automaticamente a nenhum caso individual. Cada pessoa é avaliada individualmente: procure um profissional de saúde para orientação sobre a sua situação.
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